terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Despedida Póstuma
No dia 6 de setembro de 2012, como de costume, fui dormir na casa de minha amiga que mora apenas com a filha. Após estudarmos, jantarmos e conversarmos bastante, decidi ir dormir. Ela, porém, disse que ainda ficaria mais um tempo acordada pois ligaria para o namorado.
Deitei, mas quando estava totalmente acomodada, percebi uma forte agitação na cozinha através do vão da porta do quarto onde fico.
Ali estava eu, nos fundos da casa, em cima de um beliche, achando muito estranha aquela movimentação toda, pois minha amiga não é de fazer muito barulho, principalmente se alguém estiver dormindo em sua casa! Levantei um pouco a cabeça para verificar o que estava ocorrendo.
A cozinha estava completamente escura. Entretanto, barulhos de pés arrastando e gavetas e portas de armários sendo abertas e fechadas não cessavam. Tentei ser racional diante da situação e pensei: “O que minha amiga procura tanto na cozinha e por que ela está no escuro?”
Após este pensamento, escutei a voz dela vindo do quarto da frente! Ela estava rindo e conversando com o namorado, mas o barulho nos fundos continuava! E o mais intrigante: naquela madrugada, apenas nós duas estávamos na casa. Então, para me acalmar, pensei: “Devem ser os cães que estão no pátio e como eles ficam próximos à porta da cozinha, possivelmente o barulho que escuto vem de fora, através da janela, e a impressão que tenho é que é dentro de casa.”
Após esse pensamento, forcei-me a dormir.
No outro dia, pela manhã, comentei com minha amiga sobre o ocorrido e ela me contou um outro fato estranho que coincidentemente ocorreu com ela também mais ou menos no mesmo horário.
Ela disse que escutou um forte barulho na cama de sua filha. Segundo ela, o barulho era de alguém rolando sem parar – lembrando que a filha dela não estava! Primeiro, ela pensou que fosse eu me mexendo; depois, acreditou realmente que havia alguém ali e inclusive foi até o quarto da filha levar uns travesseiros mas não viu nada!
Após um grande arrepio que percorreu nosso corpo inteiro, partimos para as explicações lógicas para o fato e enquanto confabulávamos, o pai de minha amiga chegou em sua casa.
Minha amiga ficou surpresa e comentou: “Meu pai?! Em pleno feriado e de roupa de domingo? O que será que ele veio fazer aqui?”
O pai de minha amiga parecia tenso; assim, cumprimentei-o e saí rapidamente para deixá-los conversar.
Mais tarde, fiquei sabendo o motivo de toda aquela atividade da madrugada: um tio de minha amiga que gostava muito de sua filha havia falecido no momento em que ouvimos os ruídos. Ele provavelmente tinha vindo para se despedir…
Escrita por Líbera Chaves
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